A Nasa divulgou na segunda, 24, que encontrou as maiores moléculas orgânicas em Marte, até então. A sonda Curiosity coletou amostras de rocha no planeta vermelho que indicam condições similares às encontradas para o surgimento de vida na Terra. O artigo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences descreve o material e indica a possibilidade de que a química prebiótica, que estuda as condições de surgimento de vida, exista antes do que os cientistas imaginavam no planeta vizinho.
A novidade da descoberta está no nível molecular. A sonda da agência espacial americana encontrou nas amostras de rocha em seu mini laboratório moléculas decano, undecano e dodecano. Os compostos têm 10, 11 e 12 carbonos, respectivamente, e acredita-se que sejam fragmentos de ácidos graxos. Na Terra, os ácidos graxos são considerados “blocos químicos de construção de vida”.
Seres vivos produzem ácidos graxos na formação de membranas celulares, então são essenciais para a vida na Terra. Porém, mesmo sem vida, os compostos podem ser produzidos através de reações químicas provocadas por processos geológicos, inclusive interações de água com minerais de fontes hidrotermais. Os pesquisadores da equipe da Curiosity ainda não podem confirmar qual a origem dos fragmentos, mas seu tamanho maior que moléculas encontradas anteriormente indica um avanço na química orgânica no planeta em direção à complexidade necessária para a origem da vida.
Descoberta por acaso
A sonda Curiosity está em Marte desde 2012, e um ano depois de sua chegada no planeta coletou uma amostra de rocha apelidada de Cumberland. A mesma peça foi utilizada na recente busca por aminoácidos, os compostos das proteínas, que não foram encontrados. No entanto, depois de esquentar a amostra, os pesquisadores encontraram as moléculas decano, undecano e dodecano.

Um detalhe da descoberta por acaso é que as cadeias das moléculas encontradas são formadas de 11 a 13 carbonos. No geral, processos não biológicos possuem ácidos graxos com menos de 12 carbonos. Além disso, uma limitação técnica da sonda não permite identificar correntes maiores, portanto, é possível que as amostras de Cumberland tenham ácidos graxos mais longos do que o observado.
O próximo passo dos pesquisadores é trazer as amostras para a Terra para analisá-las com mais precisão. Daniel Glavin, cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard, afirma: “Estamos prontos para dar o próximo grande passo e trazer amostras de Marte para nossos laboratórios para resolver o debate sobre a vida em Marte”.