O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul cancelou o impeachment contra o primeiro-ministro, Han Duck-soo, nesta segunda-feira, 24, uma decisão que restaura seu cargo como presidente interino com efeito imediato. Ele assumiu o posto após o presidente Yoon Suk Yeol ser deposto, acusado de “tentativa de golpe” por impor lei marcial no país em dezembro passado, dando início a um período de intensa turbulência política.
Os juízes do tribunal decidiram anular o impeachment por sete votos contra um.
“Acredito que o povo está deixando bem claro, em uma só voz, que o confronto extremo na política deve parar”, disse Han, que agradeceu ao tribunal por sua “sábia decisão” e ao gabinete por seu trabalho duro enquanto ele estava suspenso. “Como presidente interino, farei o meu melhor para manter a administração estatal estável e dedicar toda a sabedoria e capacidades para salvaguardar os interesses nacionais na guerra comercial”, completou, referindo-se aos tarifaços dos Estados Unidos de Donald Trump e às retaliações de países afetados.
A Coreia do Sul, um dos maiores exportadores do mundo, vem se preparando para o impacto potencial de uma série de taxas anunciadas por Trump. A nação asiática já foi afetada pela alta de impostos sobre aço e alumínio, e vem buscando uma isenção das tarifas recíprocas dos Estados Unidos, que devem entrar em vigor em 2 de abril. No início deste mês, o republicano destacou Seul por aplicar tarifas “injustas” sobre as exportações americanas.
Crise política
Ao impor lei marcial no ano passado, um estado de emergência que dá poderes excepcionais ao presidente e ao exército, Yoon mergulhou a Coreia do Sul em sua maior crise política em décadas, provocando um vácuo de liderança em meio a impeachments, renúncias e indiciamentos criminais para uma série de altos funcionários.
Inicialmente, Han durou menos de duas semanas no cargo, sendo acusado e suspenso em 27 de dezembro após entrar em conflito com o parlamento, liderado pelo Partido Democrata, da oposição, ao se recusar a nomear mais três juízes para o Tribunal Constitucional. O ministro das Finanças, Choi Sang-mok, assumiu o cargo de presidente interino enquanto os casos de Yoon e Han eram avaliados pela corte.
Han, 75 anos, ocupou posições de liderança por mais de três décadas sob cinco presidentes, conservadores e liberais. Num país dividido, ele é visto como um raro exemplo de quem transita, em diálogo, entre as linhas partidárias. Ainda assim, o parlamento o acusou de não fazer o suficiente para impedir a imposição da lei marcial, uma acusação que ele negou.
Em paralelo, Lee Jae-myung, chefe do Partido Democrata, pediu que o Tribunal Constitucional tomasse uma decisão rápida sobre o impeachment de Yoon. O tribunal deve informar o resultado das audiências dentro de alguns dias. Separadamente, o presidente deposto também enfrenta um julgamento criminal por acusações de liderar um golpe ao declarar lei marcial.
Se o impeachment de Yoon for confirmado, uma nova eleição presidencial será realizada dentro de 60 dias. Pesquisas de opinião sugerem que Lee venceria o pleito.
A lei marcial de dezembro, no final, durou apenas cerca de seis horas. Legisladores desafiaram um cordão de segurança ao redor do parlamento e votaram para rejeitar a declaração.