Laudo pericial do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a causa da morte do menino Ryan Silva Andrade dos Santos, de 4 anos, foi um tiro disparado por um policial militar. O garoto brincava na calçada quando foi atingido na região do abdômen durante uma operação policial no Morro São Bento, em Santos, em novembro passado. Nove meses antes dessa ocorrência, o pai de Ryan, Leonel Andrade, havia sido morto pela PM na mesma região.
A perícia concluiu que o disparo que matou Ryan foi feito por uma espingarda de calibre 12, usada pelo cabo Clovis Damasceno de Carvalho Junior. Ele era o único policial a empunhar arma longa na operação. Na ocasião, sete PMs participaram da ação em que teria havido troca de tiros com dois adolescentes suspeitos, resultando na morte de um deles.
Segundo o laudo, o disparo que matou Ryan teria resvalado em uma superfície resistente antes de atingi-lo. Além de Ryan, uma mulher ficou ferida na operação após também ser atingida por bala perdida.
A conclusão da perícia confirma a suspeita à época. Dias após a ocorrência, o porta-voz da PM de São Paulo, Emerson Massera, já havia afirmado que a dinâmica dos fatos apontavam que o menino teria sido atingido por um disparo feito pela polícia. Os sete policiais foram afastados logo após a operação, mas já retornaram às suas atividades.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, sob segredo de Justiça. “O laudo pericial sobre o disparo foi concluído e anexado aos autos do inquérito, que será concluído após a realização de mais uma oitiva. A atuação dos policiais militares foi alvo de um inquérito policial militar, que já foi concluído e encaminhado à Justiça Militar. Os agentes retornaram às atividades operacionais”, diz o texto.
Nove meses antes da morte de Ryan, em fevereiro de 2024, o pai dele, Leonel Andrade dos Santos, de 36 anos, foi morto após ser atingido por tiros de fuzil durante a Operação Verão, a mais letal desde o Massacre do Carandiru, em 1992. Na ocasião, PMs afirmaram que Leonel, que tinha restrição motora e usava muletas, estava armado e disparou contra os policiais. Na ocasião, um homem que acompanhava Leonel, Jefferson Ramos Miranda, de 37 anos, também foi morto.