O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) criticou nesta segunda-feira o STF pela iminente condenação da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão por ter pichado a estátua A Justiça, que fica em frente à sede do Supremo, em Brasília, durante os ataques golpistas do 8 de janeiro de 2023. Débora está presa há dois anos.
Ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Moro avaliou que a Corte está condenando os envolvidos no caso com penas desmedidas, e disse que “se Débora tivesse roubado a Petrobras, já estaria livre hoje”.
“Se a Débora, que é essa cabeleireira, tivesse roubado a Petrobras, ela estaria livre hoje. E o que eu tenho defendido é o seguinte: é a oportunidade que o Supremo tem para dar um passo para trás e ajustar as penas desses manifestantes do dia 8. Quando teve aquela invasão, destruição de patrimônio público, ninguém aplaudiu, todo mundo achou aquilo errado. Agora, quando o Supremo começa a dar lá 17 anos de prisão, 14 anos para essa Débora, para a Fátima de Tubarão, esse tratamento… ele perde a razão e acaba virando o vilão da história”, afirmou.
A declaração foi dada em entrevista ao Programa Pânico, da Jovem Pan. Na mesma ocasião, o parlamentar disse que as anulações de processos no âmbito da Lava Jato têm condão político, e não jurídico.
“São pessoas simples, eu visitei na prisão inclusive. São pessoas que se exaltaram, erraram. Mas 14 anos é cruel, eu acho uma crueldade. E gera esse contraste que você bem falou. Porque, e os ladrões do dinheiro público que estão sendo soltos por conta… para mim, é uma reviravolta política. Não tem nada de jurídico nessas anulações. Absolutamente ali discutível. E agora a gente está retrocedendo. O Brasil não quer ser isso. O Brasil não quer jogar uma cabeleireira que passou batom numa estátua 14 anos presa. E o Brasil não quer ver gente como Sérgio Cabral fazendo gracinha como influencer quando roubou metade do estado do Rio de Janeiro”, ressaltou.
Placar no STF
Nesta segunda-feira, o ministro Luiz Fux, do STF, pediu vista e suspendeu a tramitação da ação penal que tem como ré a cabeleireira Débora Rodrigues. Ele tem até 90 dias para devolver o processo, mas isso não impede que outros ministros possam ir adiantando os seus votos, já que o julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma.
Até agora, dois ministros, o relator, Alexandre de Moraes, e Flávio Dino, haviam votado pela condenação dela a catorze anos de prisão. Devem votar ainda os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.