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Premiê da Groenlândia chama de ‘agressiva’ viagem planejada por autoridades dos EUA

O primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, chamou de “altamente agressiva”, no domingo 23, uma viagem que autoridades seniores americanas pretendem fazer à ilha nesta semana. Trata-se de uma nova escalada no projeto do governo de Donald Trump para tornar o território, que atualmente pertence à Dinamarca com certo grau de autonomia, parte dos Estados Unidos.

Usha Vance, esposa do vice-presidente americano, J.D. Vance, e Michael Waltz, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, compõe a delegação que visitará a ilha que Trump prometeu adquirir “de uma forma ou de outra”. A segunda-dama deve fazer uma série de paradas culturais após sua chegada na quinta-feira, 27, separada de Waltz. O conselheiro deve viajar ao Ártico no início da semana, acompanhado do secretário de Energia dos Esrados Unidos, Chris Wright.

Egede, que será substituído em breve, após perder as eleições na semana passada, declarou que os esforços groenlandeses pela diplomacia apenas “rebatem Donald Trump e seu governo, em sua missão de possuir e controlar a Groenlândia”, e pediu “ação” da comunidade internacional. Os comentários, alguns dos mais raivosos desde o início da crise, apareceram no maior jornal local, o Sermitsiaq. Ele pareceu especialmente irritado com o envolvimento de Waltz.

“O que o conselheiro de Segurança Nacional está fazendo na Groenlândia? O único propósito é demonstrar poder sobre nós. Sua mera presença na Groenlândia sem dúvida alimentará a crença americana na missão de Trump — e a pressão aumentará”, afirmou. “Estamos agora num ponto em que já não pode ser descrito como uma visita inocente da esposa de um político.”

Outras autoridades locais também reclamaram da visita, apontando que a ilha no Ártico havia acabado de realizar eleições parlamentares e que um novo governo nem sequer foi formado.

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“O fato de os americanos estarem bem cientes de que estamos no meio de negociações mais uma vez mostra uma falta de respeito pelo povo da Groenlândia”, disse Jens-Frederik Nielsen, líder do partido Demokraatit, que venceu o pleito em 11 de março.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também deixou claro no domingo que nem a Dinamarca nem a Groenlândia haviam solicitado as viagens. “A visita dos Estados Unidos não pode ser vista isoladamente das declarações públicas que foram feitas”, declarou.

Visita amigável

O governo Trump, por sua vez, apresentou a visita como amigável, dizendo em declaração que Usha Vance iria para a Groenlândia com um de seus filhos na quinta-feira e participaria da corrida nacional de trenós puxados por cães, a Avannaata Qimussersu. Seu retorno está programado para sábado.

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“A Sra. Vance e a delegação estão animados para testemunhar esta corrida monumental e celebrar a cultura e a unidade da Groenlândia”, disse a declaração.

Separadamente, Waltz deve visitar uma base militar dos Estados Unidos, segundo informações do jornal americano The New York Times. Washington tem uma pequena base de defesa antimísseis na parte norte da ilha e mantêm tropas na Groenlândia desde a II Guerra Mundial.

“Os Estados Unidos têm um interesse de segurança investido na região do Ártico, e não deveria ser uma surpresa que o conselheiro de Segurança Nacional e o secretário de Energia estejam visitando uma base espacial dos Estados Unidos para obter informações em primeira mão de nossos membros de serviço no solo”, disse Brian Hughes, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, em um comunicado. “Também estamos ansiosos para experimentar a famosa hospitalidade da Groenlândia e estamos confiantes de que esta visita apresenta uma oportunidade de construir parcerias que respeitem a autodeterminação da Groenlândia e promovam a cooperação econômica. Esta é uma visita para aprender sobre a Groenlândia, sua cultura, história e povo.”

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Wright, secretário de Energia, deve se juntar a Waltz para ver a base, de olho nas terras-raras e outros recursos da ilha.

Disputa geopolítica

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Donald Trump prometeu tornar a Groenlândia – um território semiautônomo da Dinamarca – parte dos Estados Unidos, caracterizando a medida como vital para os interesses de segurança americanos. A ideia é rejeitada pela maioria dos groenlandeses. Mas a maioria das autoridades locais vem tentando andar na linha tênue, reiterando seu senso de soberania enquanto evitam antagonizar Trump.

A vasta ilha, com uma população de apenas 57 mil habitantes, foi pega no fogo cruzado de uma corrida geopolítica pelo domínio no Ártico, onde o derretimento das calotas polares está tornando seus recursos (minerais, petróleo e gás) mais acessíveis, além de abrir novas rotas mais rápidas de navegação. Tanto a Rússia quanto a China intensificaram a atividade militar na região.

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A Groenlândia é uma antiga colônia dinamarquesa e é um território desde 1953. A ilha ganhou alguma autonomia em 1979, quando seu primeiro parlamento foi formado, mas Copenhague ainda controla relações exteriores, defesa e política monetária e fornece quase US$ 1 bilhão por ano para sua economia. Em 2009, seus moradores ganharam o direito de declarar independência total por meio de um referendo, mas ainda há muita preocupação de que os padrões de vida cairiam sem o apoio econômico da Dinamarca.

As referências de Trump sobre tomar a Groenlândia fazem parte de uma mentalidade expansionista em seu segundo mandato, que também mirou no Canadá e no Canal do Panamá.

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