Cinco novos sítios arqueológicos com pinturas rupestres e vestígios de antigas ocupações humanas foram descobertos na Área de Proteção Ambiental (APA) Serra do Lajeado, no Tocantins. As gravuras esculpidas em paredões de rocha e os fragmentos de cerâmica encontrados pela equipe do Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta), da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), podem ter até dois mil anos e revelam parte de uma história ainda pouco conhecida da presença humana na região.
As descobertas ocorreram entre 2023 e 2024 e fazem parte do projeto de mapeamento e conservação da APA. Embora os locais ainda estejam em processo de documentação e não sejam abertos ao público, imagens dos sítios foram exibidas nas cidades de Lajeado e Tocantínia nos dias 10 e 11 de março. A mostra “Ecos da Serra” busca chamar a atenção para a necessidade urgente de proteção desse patrimônio.

O que foi encontrado?
Além das pinturas rupestres, foram localizados fragmentos de cerâmica, ferramentas de pedra, restos de fogueira e outros materiais que indicam a presença de antigos grupos humanos. Os sítios estão inseridos em abrigos sob rocha ou superfícies expostas e apresentam figuras humanas e animais, pintadas majoritariamente em tons de vermelho — embora uma das áreas também apresente a cor amarela.
As pinturas seguem o padrão visual de outros sítios já cadastrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas cada local ainda precisa ser analisado individualmente para uma datação precisa. Os arqueólogos explicam que não é suficiente preservar apenas as imagens nas rochas: o solo ao redor também é essencial, pois pode guardar artefatos e informações sobre os antigos ocupantes.
Por que os sítios estão em risco?
As ameaças à conservação dos sítios incluem desde a ação do tempo até danos causados por animais, queimadas, pichações e trânsito de veículos. Um dos locais, com materiais cerâmicos, está localizado em uma área de pastagem e já apresenta sinais de degradação pela atividade humana e animal.
A equipe do Nuta alerta que, mesmo antes do registro oficial no Iphan, os sítios já são protegidos por lei e considerados bens da União. A legislação brasileira garante que qualquer achado arqueológico é patrimônio cultural e deve ser preservado. O cadastro, no entanto, é um passo importante para incluir os locais em programas nacionais de conservação.

O que será feito a partir de agora?
A prioridade dos pesquisadores é registrar formalmente os sítios e iniciar ações para conter sua degradação. Os materiais encontrados, como cerâmicas e ferramentas, devem ser levados ao laboratório do Nuta para limpeza, catalogação e armazenamento em condições adequadas. Já as pinturas, por estarem fixas nas rochas, serão documentadas por meio de fotografias e levantamentos técnicos que permitirão seu estudo mesmo à distância.
Embora o turismo em áreas com arte rupestre seja uma possibilidade futura, os especialistas alertam que, no atual cenário, o Tocantins não dispõe da estrutura necessária para garantir a visitação segura sem comprometer a preservação. Por enquanto, a aposta é em ações educativas e exposições itinerantes, como a que está em cartaz até 2 de abril nas cidades de Lajeado e Tocantínia, e que depois seguirá para Palmas e Aparecida do Rio Negro.