O Partido Democrata da Groenlândia e mais três outros partido menores anunciaram um acordo de coalizão governamental nesta sexta-feira, 28, poucas horas antes de uma planejada visita não solicitada do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, em meio às ameaças do presidente Donald Trump de uma possível tomada de controle da ilha ártica.
O novo governo majoritário será comandado pelo líder democrata Jens-Frederik Nielsen, que pediu que os partidos deixem divergências políticas de lado e mostrem união, em meio às campanhas de Trump para anexar o território dinamarquês semiautônomo.
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A coalizão, que abrange grande parte do espectro político, representa 23 dos 31 assentos parlamentares. O partido Naleraq, um partido pró-independência que dobrou seus assentos para oito na eleição, não fará parte da coalizão. Os democratas, por sua vez, defendem uma independência mais lenta da Dinamarca e triplicaram sua representação para 10 assentos na eleição de 11 de março.
Viagem de Vance
Junto de sua esposa, Usha, o vice-presidente americano deve pousar na Groenlândia nesta sexta-feira para uma visita não solicitada. A viagem, porém, foi drasticamente reduzida diante da disputa diplomática internacional criada com os planos.
A visita a Pituffik, uma remota base militar americana no noroeste da Groenlândia, será observada de perto pelos líderes de Nuuk e Copenhague, que expressaram sua oposição à viagem.
Antes da chegada dos Vance, Trump disse que os Estados Unidos “irão até onde for preciso” para ganhar o controle da ilha, que ele alegou ser “necessária” para a segurança nacional e internacional.
Copenhague demonstrou apreensão. Na quinta-feira 27, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu aos comentários de Trump, dizendo: “A Groenlândia faz parte do reino dinamarquês. Isso não vai mudar.”
A Groenlândia é uma antiga colônia dinamarquesa e é um território desde 1953. A ilha ganhou alguma autonomia em 1979, quando seu primeiro parlamento foi formado, mas Copenhague ainda controla relações exteriores, defesa e política monetária e fornece quase US$ 1 bilhão por ano para sua economia. Em 2009, seus moradores ganharam o direito de declarar independência total por meio de um referendo, mas ainda há muita preocupação de que os padrões de vida cairiam sem o apoio econômico da Dinamarca.
O território, no entanto, é apenas uma das peças do novo imperialismo americano, já que o presidente dos EUA também considera assumir o Canal do Panamá, a Faixa de Gaza, o Canadá e o Golfo do México.