Uma das personagens mais marcantes de Vale Tudo, Heleninha Roitman ficou eternizada na memória do público com a interpretação tocante de Renata Sorrah de uma mulher carente, melancólica, traumatizada pela culpa de ter matado um irmão — o que se provou uma mentira contada pela mãe ao longo da novela — e que sofre com o alcoolismo. Passados 37 anos, ela ganha uma nova versão, agora vivida por Paolla Oliveira. Em entrevista a VEJA, a nova intérprete fala do desafio de dar vida à Heleninha no tão aguardado remake assinado por Manuela Dias.
Confira a entrevista completa:
A Heleninha Roitman é uma personagem muito marcante, por tratar um problema que talvez, naquela época, não fosse tão falado seriamente — o alcoolismo. Como que a personagem é atualizada para 2025? É, não tem como a gente não ter evoluído nesses 37 anos. Algumas coisas se mantém, mas outras mudaram em relação ao alcoolismo. Hoje, a gente já tem consciência de que é uma doença, eu tenho a esperança de que esse assunto seja visto com uma profundidade maior e não como um momento cômico. E apesar de todas as mudanças que foram feitas, o estigma de um alcoólatra ainda é muito sério, ele existe. A gente acha que o alcoólatra é só aquele homem que está morando embaixo da ponte, que não pode acontecer comigo, que não acontece na minha família, que tem uma condição financeira maior, e não é bem assim.
Ela vai gerar discussões, certo? Espero que sim, para mostrar aos que estão perto de alguém que sofre desse vício como um alcoólatra se enxerga. Eu acho que vai ser muito importante voltar com esse assunto e tem muitas coisas que eu não posso abrir agora, mas em relação à mulher alcoólatra, como todas as dores da mulher ainda tem um peso a mais.
Por que? Além da doença, ela ainda tem o estigma por ser uma mulher. Então, envolve o desarranjo moral, o quanto essa mulher perde em torno da sociedade, é muito maior ainda do que um homem. Então, eu tive reuniões só com mulheres do Alcoólicos Anônimos, tive reuniões mistas. Eu vi de vários aspectos essa dificuldade que existe ainda para uma mulher alcoólica. Será uma boa discussão.
Você foi atrás do teste para ser Heleninha e conquistou o papel disputadíssimo com outras atrizes. O que a atraiu a essa personagem? Eu tenho uma carreira tão ascendente, sou tão grata por isso, e essa emissora me deu isso. Eu amo e assisto novelas desde sempre, tenho essa paixão por uma vertente tão popular. E o remake de Vale Tudo comemora os 60 anos da Globo, era uma novela que todo mundo queria participar. Várias coisas me atraíram na Heleninha, essa personagem tão profunda, que fala de alcoolismo através da Renata Sorrah, que é uma deusa nossa. Eu já fiz vários personagens, me considero uma atriz de trabalhos memoráveis para o público. E aí pensei: “como me renovar dentro disso?”. Só podia ser com a Heleninha.
Conversou com a Renata sobre a personagem? Tive a honra de encontrá-la, fui assistir a uma peça dela, e ela foi de uma gentileza sem fim, desejou boa sorte, falou que tava muito feliz com a escolha. Eu me senti muito abençoada, sabe? Ela me mandou uma axé grande do tipo: “Vai, vai que o meu tá feito”. Eu acho que é isso mesmo. E eu assisti a novela um pouco, porque acho bom assistir e ter alguma referência, inclusive da novela como um todo, mas acho também muito importante a gente criar um caminho nova Heleninha.
Por que acha que Vale Tudo merecia um remake? Acho que fazer essa adaptação é uma tarefa bem complexa para todo mundo que está envolvido. Para os diretores, uma grande missão. A Manuela é uma mulher muito corajosa de aceitar fazer isso. E eu acho que está todo mundo empenhado em fazer mais do que fazer um remake, fazer uma grande novela. Tem uma grande história que depois de mais 30 anos ainda é totalmente viável, moderna e faz sentido, as discussões estão totalmente em pauta. No meu caso, abordamos o alcoolismo na sociedade depois de quase 40 anos. Não é uma missão fácil, porém todo mundo está muito empenhado em fazer um grande trabalho e honrar essa novela que é a novela das novelas. E eu acho que é justo e respeitoso da nossa parte não se aproximar do que foi feito antes, sabe? Não querer imitar, não querer essa comparação. A gente quer fazer um trabalho novo dentro do que é possível, já que a mesma história.
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