Uma semana após uma acalorada discussão entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca, altos funcionários de ambos os países se preparam um encontro na Arábia Saudita na próxima segunda-feira, 10, com cidade ainda por definir, que buscará encontrar caminhos que levem ao fim da guerra na Ucrânia, que se estende por mais de três anos. Em clima de inimizade, tanto Trump quanto Zelensky confirmaram a reunião.
“As equipes ucraniana e americana retomaram o trabalho e esperamos que na próxima semana tenhamos uma reunião significativa”, disse o presidente da Ucrânia em comunicado na quinta-feira 6. Ele também adiantou que enviaria “representantes militares de países que estão prontos para fazer maiores esforços para garantir a segurança de forma confiável dentro da estrutura de acabar com esta guerra”.
Desde o retorno do republicano à Casa Branca, em 20 de janeiro, as regras do jogo do conflito mudaram – para desespero ucraniano. O que se viu foi uma aproximação entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a Ucrânia sendo jogada para segundo plano.
O estreitamento de laços entre Washington e Moscou levantou críticas de Kiev, excluída da mesa de negociações inicialmente. Em justificativa esquiva, Trump afirmou que não via necessidade da participação de Zelensky nas tratativas, já que torna “muito difícil fechar acordos”, dias depois de chamar o ucraniano de “ditador sem eleições” (seu mandato expirou em maio passado, mas não houve novo pleito porque o país está em estado de guerra).
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Tensão e hostilidade
As tensões atingiram o pico na última sexta-feira 28, quando Trump e Zelensky se reuniram no intuito de assinar um acordo de minerais que daria acesso ao governo americano a dezenas de terras-raras ucranianas, onde há minerais críticos, além de debater sobre o futuro do conflito. O resultado foi um bate-boca constrangedor, com Trump acusando Zelensky de flertar com a Terceira Guerra Mundial. Depois disso, o ucraniano recuou do pacto comercial e, numa forma de retaliação, o republicano bloqueou a ajuda militar a Kiev.
Embora Zelensky tenha lamentado os rumos da reunião, afirmando que “não correu como deveria”, as negociações na Arábia Saudita, ao que indica o andar da carruagem, não serão fáceis. De todo modo, o enviado especial do governo Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, adiantou que “a ideia é chegar a uma estrutura para um acordo de paz e um cessar-fogo inicial também”. O líder ucraniano, por sua vez, disse anteriormente que só aceitaria uma trégua caso fossem oferecidas garantias de segurança.
“O presidente Zelensky demonstrou que está decidido a seguir esse caminho de boa-fé de volta. Ele se desculpou. Ele disse que é grato. Ele disse que quer trabalhar pela paz”, concluiu Witkoff, acrescentando que estava otimista de que o acordo de minerais seria firmado em breve.
Entre as demandas de Kiev, estão o comprometimento oficial de Moscou em não atacar a infraestrutura energética e civil da Ucrânia, uma pausa no uso de mísseis, bombas e drones de longo alcance e nenhuma operação militar no Mar Negro. Em declaração, Zelensky alertou que “os ucranianos realmente querem paz, mas não ao custo de desistir da Ucrânia”. “A verdadeira questão para qualquer negociação é se a Rússia é capaz de desistir da guerra”, completou ele.
Trump, por sua vez, pontuou que a França estava disposta a enviar soldados a Kiev “por razões de segurança”, numa espécie de força de paz europeia após o fim da guerra. Ele também alegou que os negociadores americanos “fizeram muito progresso com a Ucrânia e muito progresso com a Rússia nos últimos dias”.
“Também acho que a Rússia quer fazer um acordo porque de uma certa maneira diferente — uma maneira diferente que só eu sei, só eu sei — eles não têm escolha”, acrescentou. De qualquer maneira, falta combinar com os russos. A ver as cenas dos próximos capítulos do confronto que há 1.115 dias vem tirando o sono dos ucranianos.