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O prejuízo do setor de energia em áreas dominadas pelo crime organizado no Rio

Concessionária que fornece energia ao município do Rio e outras 30 cidades do estado, a Light possui um milhão de clientes cadastrados em áreas dominadas pelo crime organizado. O número equivale a quase um quarto do total de unidades conectadas à rede da empresa em todo o Rio de Janeiro – esse número hoje é de 4,3 milhões. No entanto, nessas áreas onde o poder das armas fala mais alto, as perdas podem chegar a mais de 95%. Isso quer dizer quase a totalidade de clientes conhecidos não paga a conta de luz. VEJA teve acesso a informações da companhia, cujos prejuízos não param por aí, já que muitos moradores desses locais não estão cadastrados, mas consomem energia através de ligações clandestinas – os famosos “gatos”.

O problema ocorre, sobretudo, na capital e na Baixada Fluminense. Esse contingente de um milhão em áreas de risco de segurança – onde o acesso ao território é prejudicado pelo crime – está dentro de comunidades. Estas, por sua vez, somam dois milhões de clientes da Light. Na prática, os poucos clientes que pagam em dia nesses locais acabam prejudicados, por causa da sobrecarga do sistema. São comuns os incêndios na rede e a falta de energia. Mas, sem poder entrar nessas regiões, as equipes da Light não conseguem combater o furto.

Rio das Pedras é uma das comunidades onde a empresa enfrenta esse quadro. Lá, traficantes do Comando Vermelho e milicianos estão em guerra pelo domínio do território. No Complexo da Maré, há favelas onde 100% da energia consumida não se converte em caixa para a concessionária. Somente este ano, até o dia 6 de março, a Light trocou 1.150 transformadores danificados em função de gatos. O controle da distribuição de energia é mais um meio de lucro dos criminosos – sejam eles integrantes de milícias ou do tráfico.

A Secretaria estadual de Segurança já identificou até uma padaria em Rio das Pedras explorada por criminosos e que distribui todas as manhãs caminhões de pãezinhos pela cidade sem pagar um centavo da energia consumida na produção. Fábrica de gelos são, segundo o secretário Victor Santos, um negócio já comum para facções como o Comando Vermelho. E que, claro, também não gastam com luz. “Só que esse dinheiro que circula favorece o crime. O que eles ganham é usado para comprar armas e, assim, se consolidarem no território e manterem seu plano de expansão”, afirma Santos.

Como VEJA já mostrou, um serviço que se tornou um filão para os bandidos é o da internet. Quadrilhas de traficantes vêm cortando redes de provedores regulares em vários pontos do Rio e exercendo o monopólio, seja através de empresas clandestinas que usam equipamentos furtados ou com firmas laranjas. E a população se vê refém desses grupos, ao perder o direito de escolha e ainda por cima pagando mais por um serviço de baixa qualidade.

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