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O efeito devastador das tarifas impostas por Trump a carros importados

Em fevereiro, o presidente americano, Donald Trump, havia ventilado a possibilidade de impor uma tarifa de 25% sobre carros importados. Na época, nenhum detalhe adicional foi dado, mas as montadoras ficaram preocupadas – afinal, a tarifa atual é de apenas 2,5%. Na noite de quarta-feira, 26, Trump confirmou que o novo imposto passaria a valer a partir da próxima quarta, dia 2 de abril.

Imediatamente, a União Europeia e o Canadá se manifestaram contra o aumento do imposto. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida era “ruim para as empresas, pior para os consumidores”. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que a decisão é um “ataque direto” aos trabalhadores do país. Trump rebateu, fazendo ameaças contra qualquer retaliação. “Tarifas em larga escala, muito maiores do que as atualmente planejadas, serão impostas a ambos para proteger o melhor amigo que cada um desses dois países já teve!”, escreveu ele em sua rede social.

O efeito da medida já é sentido pelas montadoras. Na manhã desta quinta-feira, 27, as ações da maioria das empresas do setor operavam em quedaNos Estados Unidos, as ações da General Motors caíram 6,2% e da Ford, 4,7%. A Stellantis, marca que controla Ram, Jeep, Chrysler e outras, caiu 6,4%, a Mercedes-Benz perdeu 5,5%, a BMW caiu 3,9% e a Porsche caiu 4,2%, enquanto a Volvo Cars e a fabricante de autopeças Continental caíram cerca de 2,5% cada. O efeito é registrado também em outros países. As ações da Toyota, a montadora que mais vende veículos no mundo, caíram 3,7% no início do pregão em Tóquio, enquanto a Nissan perdeu 3,2% e a Honda, 3,1%. Na Coreia do Sul, as ações da Hyundai caíram 3,4%. 

Segundo Trump, o objetivo é fortalecer a indústria automotiva norte-americana. O presidente afirma que a meta de longo prazo é que a manufatura volte a ser feita totalmente dentro dos Estados Unidos. 

Hoje, no entanto, a situação é muito diferente. Nenhum carro é totalmente produzido nos EUA. Muitos são montados a partir de peças provenientes de outros países. O site The Drive publicou uma investigação sobre os principais modelos de picapes grandes, a Ford F-150, a Ram 1500 e a Chevrolet Silverado. A reportagem mostra que cerca de 50% das peças das caminhonetes são provenientes dos EUA e do Canadá. O resto vem de outros países, e as empresas nem sempre divulgam com exatidão a origem. Embora sejam modelos associados ao estilo de vida americanos, e suas campanhas de marketing orgulhosamente digam que eles são “assembled in America“, ou seja, “montados na América”, isso não significa que eles sejam completamente fabricados por lá.

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Há muitos modelos populares que são produzidos no México, por exemplo, e seguiam para os Estados Unidos. Os acordos de comércio fizeram com que se tornasse mais vantajoso produzir em outros lugares e só terminar a montagem em solo americano. A Volkswagen, por exemplo, é a mais vulnerável das marcas alemãs, já que depende muito da produção no México e não tem linhas americanas para suas marcas Audi e Porsche

A medida deve favorecer os carros da Tesla, que são, de fato, fabricados em instalações localizadas dentro dos Estados Unidos. 

Para o consumidor final, o aumento das tarifas significam, obviamente, um salto nos preços. Segundo analistas do mercado americano, podem significar até 10 mil dólares de diferença no valor final. A japonesa Subaru, por exemplo, já está fazendo propagandas em seu site anunciando os últimos dias para aproveitar o preço antigo, “pré-tarifas”.

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