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No STF, Bolsonaro foi do tédio à celebração e indicou medo de envenenamento

A presença surpresa de Jair Bolsonaro durante o primeiro dia de julgamento no plenário da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira, 25, rendeu algumas cenas inusitadas. Sentado na primeira fileira e ao lado de seus advogados, o ex-presidente expressou diferentes reações – do cansaço durante as falas de ministros ao elogio aos ataques feitos por advogados ao processo, passando pela recusa a tomar a água disponibilizada pela Corte durante a sessão.

O comparecimento do ex-presidente leva adiante a estratégia de partir para o front, intensificar aparições públicas e mobilizar seus apoiadores – além de, claro, gerar barulho. Do lado de fora, parlamentares aliados espernearam após chegar atrasados e não conseguir entrar de imediato na sessão, o que gerou uma correria de seguranças dentro e fora do plenário.

Um advogado chegou a ser preso por desacato após reagir aos gritos ao ver que seu nome não constava na lista de credenciados – o cliente dele, o ex-assessor Filipe Martins, não seria julgado naquele dia. Como mostrou VEJA, após a série de tumultos, a administração do Supremo decidiu cobrir com uma película as portas de vidro que dão acesso ao plenário. Lá dentro, o senador Jorge Seif levou um pito de uma segurança por tirar uma foto, o que é proibido, e foi obrigado a mostrar o celular e apagar a imagem.

Frente a frente com seus principais algozes, Bolsonaro optou por não dar nenhuma declaração. Na sessão, ele intercalava entre prestar atenção às declarações dos ministros, mexer no celular, cochichar com advogados e demonstrar sinais de cansaço ou até de tédio – foram mais de 15 longas bocejadas durante a sessão.

O ex-presidente, por outro lado, indicou estar mais desperto durante o pronunciamento dos advogados. Ele elogiou, por exemplo, o defensor do deputado Alexandre Ramagem, que minimizou a atuação do ex-chefe da Abin e disse que sequer há informações relevantes sobre seu cliente na delação firmada por Mauro Cid. “Ele foi bem”, disse Bolsonaro ao advogado Paulo Bueno.

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O ex-presidente também endossou o pronunciamento feito pelo advogado do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, que chegou a subir o tom, ironizar um golpe por “telepatia” e erguer o dedo em riste para desqualificar a denúncia da Procuradoria-Geral da República. “O fato é que os romancistas da Polícia Federal não quiserem pedir de volta os autos para analisar isso”, disse Demóstenes Torres, referindo-se a supostas contradições na peça. Bolsonaro, neste momento, não segurou o sorriso.

A seco

Nas cerca de seis horas em que esteve no plenário do Supremo, Bolsonaro não tomou nenhum gole d’água. Lá dentro, é proibido entrar com qualquer tipo de líquido, e a Corte disponibilizou na antessala uma mesa com os copos preenchidos.

Por volta das 16h, o advogado e ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten saiu às pressas do plenário e voltou carregando um copo cheio de água – segundo a coluna Radar, o ex-presidente estava irritado naquele momento. Bolsonaro, porém, recusou a oferta.

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Wajngarten saiu novamente do recinto e, minutos depois, retornou novamente, dessa vez com uma garrafinha de água. O presidente pegou, olhou um pouco para a garrafa e a repassou a outro advogado, indicando que não tomaria.

Diante da negativa, ainda se procurou alguma latinha de coca-cola para oferecer a Bolsonaro, que opta por tomar bebidas industrializadas e lacradas nestas ocasiões, mas não tinha nenhuma disponível.

Como é sabido, Bolsonaro sempre expressou o receio de sofrer algum tipo de envenenamento – enquanto presidente, ele tinha um provador de comidas até mesmo no Palácio da Alvorada e se recusava a pedir qualquer alimento por aplicativos de entrega. Desde que o cerco jurídico contra o ex-presidente se fechou, Bolsonaro passou a dizer que, se for preso, pode acabar sendo morto ou envenenado na prisão.

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