Nas redes sociais, a reação dos brasileiros ao tarifaço que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende aplicar sobre as importações de outros países é majoritariamente neutra, segundo pesquisa da agência AM4 Brasil Inteligência Digital que avaliou 30 000 publicações e comentários sobre o assunto de 20 a 27 de março. Em contrapartida, as reações tendem a ser negativas, quando se referem à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste episódio.
Segundo o levantamento, 48% das menções às medidas de Trump foram classificadas como neutras; 33% era contrárias; e 19%, favoráveis. Já a postura de Lula no caso recebeu 42% de menções negativas; 31% de positivas; e 27% de neutras. O estudo se concentrou nas redes X (ex-Twitter), Instagram e Facebook.
Segundo a AM4, foi possível agrupar as manifestações em três eixos: os efeitos econômicos da medida, suas motivações políticas e os impactos nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos. A agência afirma que “a polarização foi evidente entre apoiadores e críticos de Trump, especialmente entre brasileiros que o veem como referência ideológica.”
Apesar da prevalência de comentários neutros, parte dos brasileiros não poupou Trump de críticas à incoerência entre o discurso de apoio à liberdade econômica e o protecionismo que marca seu segundo mandato, de acordo com a AM4. Outra parcela dos internautas aproveitaram o caso para criticar características pessoais de Lula. Para a agência, o desvio do debate do campo econômico para traços de personalidade do presidente reflete a atual “divisão político-ideológica do público”.
Nesta quarta-feira 2, Trump deve anunciar mais uma rodada de medidas protecionistas. Para enfatizar sua importância em estimular a economia americana, o republicano tem chamado esta quarta de “O Dia da Libertação”. Não se sabe, até o momento, que decisões serão anunciadas às 15h (horário de Brasília) pela Casa Branca, mas Trump se refere com frequência aos parceiros comerciais dos Estados Unidos como países interessados apenas em prejudicar os americanos.
Como Washington tem martelado a tecla da reciprocidade tarifária, parte dos analistas espera que sejam anunciadas medida que equiparem as alíquotas de importação às cobradas por outros países para que produtos americanos entrem em seus mercados. Caso isso aconteça, o Brasil pode sentir um forte impacto. Isto, porque, em média, o Brasil impõe uma alíquota de 11% aos produtos importados, enquanto os Estados Unidos cobram, em média, 3%.
Lula vem afirmando, nas últimas semanas, que o governo pode recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) para contestar as sobretaxas americanas. Se essa estratégia fracassar, o presidente afirma que a saída será adotar o mesmo princípio de reciprocidade evocado por Trump e sobretaxar as importações americanas.