As vendas da montadora de veículos elétricos Tesla, do bilionário Elon Musk, vêm despencando desde fevereiro e acumularam uma queda de 13% nos primeiros três meses deste ano, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, 2. O desempenho foi fraco até mesmo na Noruega, onde os veículos elétricos correspondem a mais de 90% das vendas de carros novos.
A Noruega é lar de alguns dos compradores mais sofisticados do mundo quando o assunto são as nuances de baterias, carregamento e alcance. Por isso, a queda de mais de 12% nas vendas da Tesla no país escandinavo não é um bom sinal para a fabricante de Musk.
No ano passado, a montadora do bilionário foi responsável por quase um quarto das vendas de carros na Noruega, ultrapassando todas as concorrentes. Já nos primeiros dois meses deste ano, a empresa caiu para o terceiro lugar, atrás da Volkswagen e da Toyota, representando apenas 9% dos carros novos vendidos no país, o que equivale a menos da metade de sua participação de mercado no ano anterior.
Polêmicas de Musk e desafios da Tesla
Nos últimos anos, a Tesla perdeu sua vantagem tecnológica exclusiva. Concorrentes como Volkswagen, BMW, Volvo e fabricantes chineses, como BYD e Xpeng, expandiram suas ofertas de veículos elétricos, trazendo opções mais variadas ao mercado. Além disso, consumidores aguardam uma versão atualizada do Model Y, o que pode ter adiado compras.
“A Tesla praticamente todos esses anos esteve sozinha na Europa e nos EUA”, disse Felipe Munoz, analista global da JATO Dynamics, uma empresa de pesquisa. “Esse não é mais o caso.”
Outro fator que pode ter influenciado a queda nas vendas é a desvalorização dos Teslas no mercado de usados. A maior revendedora de carros elétricos da Noruega, a Rebil, registrou um aumento na revenda de veículos da marca, indicando um fenômeno chamado de “Tesla Shame” — o constrangimento de alguns consumidores em manter o carro devido à imagem do CEO, que vem se envolvendo cada vez mais com as políticas do presidente dos EUA, Donald Trump.
Há uma aparente reação negativa do consumidor contra Musk, que vem interferindo em assuntos políticos americanos e europeus. Ele demonstrou apoio ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que abriga nazistas, e acusou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e outros políticos seniores de encobrir um escândalo sobre gangues de aliciamento. Além disso, é visto com maus olhos por liderar os cortes de gastos públicos nos Estados Unidos, que incluem centenas de milhares de demissões de funcionários federais.
Uma reportagem feita pelo jornal americano The Washington Post contou ao menos uma dúzia de ocorrências violentas e atos de vandalismo contra concessionárias, carros e pontos de recarga da Tesla nos Estados Unidos, com base em pesquisas feitas em registros policiais, ações judiciais, imagens de câmeras de segurança e notícias regionais.
A tendência de declínio também foi observada em outros mercados europeus, como Dinamarca, França, Holanda e Suécia.