O mercado de trabalho dos Estados Unidos continua a desafiar expectativas. Em março, o setor privado criou 155 mil vagas, segundo dados da Automatic Data Processing (ADP), superando a projeção de 120 mil e o saldo revisado de fevereiro, que passou de 77 mil para 84 mil postos. Os salários, por sua vez, avançaram 4,6% na comparação anual, enquanto trabalhadores que trocaram de emprego registraram aumentos médios de 6,5% — ligeiramente abaixo dos 6,7% registrados no mês anterior.
Embora o relatório da ADP seja apenas um prelúdio para os números mais abrangentes do Departamento do Trabalho, que serão divulgados na sexta-feira, 7, ele já aponta para um mercado de trabalho ainda aquecido, mesmo em meio a uma política monetária restritiva. O relatório Jolts, divulgado na véspera, revelou uma queda no número de vagas disponíveis em fevereiro, de 7,8 milhões para 7,6 milhões, um leve arrefecimento na demanda por mão de obra, mas ainda se mantendo dentro da estabilidade.
A força do emprego pode atrasar os planos do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), de iniciar cortes na taxa de juros. A resiliência do mercado de trabalho americano reflete a solidez da economia, mas também alimenta receios sobre a persistência inflacionária. Jerome Powell, presidente da instituição, tem reiterado que qualquer decisão sobre juros dependerá dos dados econômicos. Uma criação robusta de empregos combinada com crescimento salarial sustentado pode manter o banco central na defensiva por mais tempo.
Historicamente, o relatório da ADP e o payroll não mantêm uma correlação perfeita, mas o dado privado serve como um indicador inicial para a tendência do mercado. Caso os números oficiais também apontem para um mercado aquecido, as apostas em cortes de juros no curto prazo podem diminuir. Se, por outro lado, houver sinais de enfraquecimento no emprego, o Fed terá espaço mais para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário ainda este ano.