O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta terça-feira, 25, de um jantar oferecido pelo imperador Naruhito e sua esposa, a imperatriz Masako, durante sua visita de Estado ao Japão. Durante o evento, ele exaltou os laços entre o Brasil e o país asiático e também cobrou “engajamento” dos japoneses na COP30, que será sediada neste ano em Belém, no Pará.
De acordo com o Palácio do Itamaraty, no Japão, as visitas de Estado, consideradas as mais relevantes do ponto de vista diplomático, são organizadas, no máximo, uma vez por ano, e esta será a primeira visita de Estado organizada pelo Japão desde 2019.
Este ano, Brasil e Japão celebram 130 anos de relações diplomáticas. O Brasil abriga a maior população nipodescendente fora do Japão, com cerca de 2 milhões de pessoas, enquanto o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 200 mil pessoas.
“Comemoramos 130 anos de relações diplomáticas, sustentados pelo respeito mútuo e pela colaboração contínua. Nossas trajetórias se entrelaçam e se reforçam. O Brasil hospeda a maior comunidade nikkei fora do Japão. É imensurável a contribuição japonesa para a economia, a agricultura, a industrialização e a cultura brasileira”, listou Lula.
O presidente lembrou ainda um discurso do Imperador Naruhito, na condição de príncipe-herdeiro, quando esteve em Brasília em 2018. Na ocasião, ele fez um apelo à comunidade internacional para priorizar o fornecimento sustentável de água e saneamento.
“Suas preocupações não poderiam ser mais atuais e relevantes. Como país que abriga a maior floresta tropical e reserva de água doce do mundo, o Brasil está comprometido com um modelo de sustentabilidade baseado na inclusão social. Contamos com o firme engajamento do Japão na COP30, em Belém do Pará”, afirmou Lula.
Mercado japonês
Nesta terça-feira, Lula participou de um evento oficial de boas-vindas no Palácio Imperial, pela manhã, e um encontro reservado com o imperador Naruhito. Mais tarde, presidente e ministros se reuniram com empresários brasileiros exportadores de carne, que buscam abrir as portas do mercado japonês.
A equipe de Lula considera estratégico diversificar as correntes de negócios e sinalizar equilíbrio na guerra comercial entre China e Estados Unidos — os dois maiores parceiros comerciais do Brasil. Uma das expectativas da viagem, em termos comerciais, é de avançar nas negociações para um acordo entre o gigante asiático e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Em paralelo, levou a Tóquio uma delegação de empresários que inclui executivos da Embraer e da JBS, ambas em negociações para possíveis acordos com os setores de aviação e alimentício, respectivamente, do país no Sudeste Asiático.
Do ponto de vista comercial, em 2024, o Japão foi o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e terceiro maior destino de exportações brasileiras à região, com intercâmbio comercial de US$ 11 bilhões e superávit de US$ 148 milhões.
Próximas etapas
Na quarta-feira, 26, Lula terá o dia mais cheio da visita ao Japão. A agenda prevê reunião com sindicatos japoneses e participação no Fórum Empresarial Brasil-Japão. Pelo lado brasileiro, estarão empresários dos setores de alimentos, agronegócio, aeroespacial, bebidas, energia, logística e siderurgia, entre outros.
No fim da tarde, Lula se reunirá com o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, no Palácio Akasaka. Na sequência, ambos devem participar de uma cerimônia de assinatura de atos. Depois, será oferecido um jantar a Lula e à comitiva. Prevê-se a assinatura de acordos bilaterais em áreas como ciência e tecnologia, combustíveis sustentáveis, educação, pesca, recuperação de pastagens eterras agrícolas, entre outras.
A visita prossegue até quinta-feira, 27 de março, quando o presidente parte para Hanói, no Vietnã, para a segunda parte da viagem à Ásia.
(Com Agência Brasil)