O Brasil coleciona casos de parlamentares que embolsam parte dos salários de seus servidores de gabinete. A famosa “rachadinha” constituiu crime de peculato, que prevê pena de até 12 anos de prisão, mas, historicamente, o que predomina é a impunidade VEJA mostrou em sua última edição que o deputado mineiro André Janones (Avante) foi pego no pulo, admitiu a maracutaia, fez um acordo com o Ministério Público, pagou uma multa e a vida segue como se nada tivesse acontecido.
Uma exceção aconteceu na Bahia. O ex-vereador Henrique Santana Carballal foi condenado a 3 anos e 9 meses de prisão, além de multa, pela prática da “rachadinha”. Ele era vereador pelo PT quando praticou o crime. Hoje, ocupa um cargo estratégico no governo de Jerônimo Rodrigues (PT): é presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), uma autarquia que realiza levantamentos geológicos, prospecção e pesquisa de recursos minerais.
De acordo com o Ministério Público, Carballal, embolsou, entre 2009 e 2010, parte dos salários dos 19 funcionários que ele mantinha em seu gabinete na Câmara de Vereadores do estado. A juíza Virgínia Silveira Wanderley dos Santos condenou o político com base na denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), feita em março de 2013. Ele cumprirá a pena em regime aberto.
Chefe de gabinete do vereador também foi condenado por rachadinha
A juíza também condenou Alex Emanoel da Silva, chefe de gabinete do ex-vereador, a uma pena de três anos, um mês e 15 dias de prisão, além de multa. Ele foi apontado como responsável pela arrecadação e repasse dos valores desviados. Carballal, de acordo com a denúncia, também teria nomeado alguns assessores fantasmas para o gabinete, com o único objetivo de se apropriar de seus vencimentos.
No Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consta que Carballal foi eleito e reeleito vereador pelo PT. Em 2016, ele trocou o PT pelo PV. Em 2020, se transferiu para o PDT. Procurado, o ex-vereador não foi localizado.