Os Estados Unidos quase dobraram as importações de ovos do Brasil no mês passado para conter a disparada dos preços no mercado interno, que subiram mais de 50% apenas em fevereiro. Segundo a agência de notícias Reuters, somente no mês passado, o volume importado do Brasil cresceu 93%, quando comparado com um ano antes.
A disparada nos preços é causada por um surto de gripe aviária que atinge frangos, galinhas e perus, entre outras aves. Antes da crise sanitária, os ovos brasileiros eram usados apenas para a produção de ração animal, mas o presidente Donald Trump estuda liberar seu uso em produtos industrializados, como sorvetes e misturas para bolos. Por enquanto, não se considera a liberação da venda diretamente aos consumidores finais, via supermercados, por exemplo.
Além do Brasil, os Estados Unidos também elevaram a importação de ovos da Turquia e da Coreia do Sul, segundo a Reuters. Os americanos também esperam que a Europa eleve as remessas do produto. O governo americano analisa, ainda, a liberação do consumo de ovos postos por galinhas criadas para o abate. De acordo com a Reuters, essas aves põem cerca de 360 milhões de ovos por ano considerados inadequados para chocar e, assim, renovar a oferta de carne de frango. Parte desses ovos é usada na fabricação de vacinas ou é exportada, mas a grande maioria é simplesmente destruída.
O aumento das exportações de ovos para os Estados Unidos é mais um fator de pressão inflacionária no próprio mercado brasileiro. A menor disponibilidade do produto por aqui é um dos motivos para a disparada dos preços. Não é por coincidência que os ovos se tornaram o símbolo da recente disparada da inflação, uma das causas da implosão da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em apenas um mês, o preço da dúzia de ovos no atacado subiu mais de 60%. O episódio levou o governo a anunciar uma série de medidas, como zerar as tarifas de importação de diversos alimentos no início de março.