Delator premiado das investigações contra Jair Bolsonaro no STF, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid já surgiu em áudios revelados por VEJA detonando a forma intimidatória como seus depoimentos se deram na Polícia Federal.
Confrontado por Alexandre de Moraes se suas falas eram verdadeiras, o delator recuou, disse que desqualificou a delação num momento de desabafo.
Superado esse processo, a PF indiciou 40 investigados e entregou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, um vasto material para que ele formulasse a denúncia ao Supremo.
Para dar forma ao calhamaço de 272 páginas, Gonet bebeu em diferentes fontes, sendo uma delas o que Mauro Cid revelou em sua delação. Nesta quinta-feira, porém, o delator se revoltou com a denúncia de Gonet, dando a entender que ela não reflete a verdade dos fatos e dos crimes admitidos por ele na colaboração.
“Entre as verdadeiras declarações sobre fatos prestadas na colaboração premiada e conclusão que dela extraiu o eminente procurador da República medeia distância estelar”, escreveu a defesa do delator na manifestação ao STF.
Ao negar as acusações, o delator, que deu corpo ao trabalho, de certa forma enfraquece a denúncia formulada ao Supremo. Se nem o delator banca o que foi acusado, vendo ” distância fática” entre trabalho de Gonet e as suas confissões, como cobrar de ministros do STF que validem os apontamentos do chefe da PGR?