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BC cumpre o ‘combinado’, e nova alta da Selic em maio deve ter magnitude menor

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de subir a Selic em 1 ponto percentual pela quinta vez seguida, levando a taxa básica de juros a 14,25% ao ano, era amplamente esperada pelos economistas, agentes de mercado e analistas. Agora, todos os olhos se voltam para os indicativos para a próxima reunião, em maio, em que a Selic deve ser novamente elevada – porém, em nível menor.

No comunicado, o Comitê afirma que “antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião” – o que deve levar os investidores a especular, agora, a probabilidade de uma alta de 0,50 ponto percentual na reunião de maio.

O Comitê também voltou a falar que, para além da reunião seguinte, a magnitude do ciclo de aperto monetário “será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”, a depender de diversos fatores, como as projeções de inflação, as expectativas de inflação, o hiato do produto e o balanço de riscos.

“O Copom foi mais hawkish (inclinado à alta de juros, no jargão do mercado) do que a minha expectativa de dependência de dados”, afirma Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “Ele também fortalece visões de 0,50 e 0,75 ponto percentual para maio. Quanto à Selic terminal, não deveria incentivar maiores mudanças.” 

“O comunicado manteve o tom mais duro e o viés altista na análise dos riscos para inflação”, diz Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter. O banco mantém a expectativa de uma alta de 0,50 ponto percentual para 14,75%, encerrando o ciclo de aperto. Igor Rocha, economista chefe da Fiesp, o Copom  também nota que o comitê deu ênfase a uma persistente assimetria de alta no balanço de riscos para os cenários de inflação, avaliando que o cenário “exige uma política monetária mais contracionista. “No entanto, cabe pontuar a mudança na magnitude do aumento na próxima reunião”, diz ele. “Não sabemos ainda essa magnitude.”

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Para Patrícia Krause, economista chefe Latin America da Coface, a indicação de um ajuste menor na próxima reunião é o principal ponto. Além disso, ela destaca que o comunicado aponta a incerteza gerada pela política comercial dos EUA e, no cenário doméstico, traz um tom ligeiramente menos pressionado para a inflação. “Era algo que não tinha no texto anterior”, diz.  Ela também notou a projeção do Copom para o terceiro trimestre de 2026, que caiu de 4% para 3,9%, e a mudança na forma como o Banco Central menciona as projeções de inflação, agora destacando níveis elevados em vez de apenas elevação. “No texto anterior, o Copom falava de elevação das projeções de inflação”, diz.

Luis Cezario, economista-chefe da Asset 1, diz que a comunicação do Copom, na sua avaliação, foi ponderada. Segundo ele, o Copom  adota cautela devido à desaceleração econômica, mas a inflação alta exige que deixe claro que o aperto monetário não terminou. A incerteza sobre as políticas de Trump reforça a necessidade de prudência do Banco Central. “A grande pergunta a ser respondida nos próximos meses é como o Banco Central reagirá caso a atividade econômica continue enfraquecendo”, diz. Ele acredita que  a composição atual do comitê é mais sensível à piora da atividade e buscará encerrar o ciclo de alta de juros assim que possível.

Claudio Pires, sócio diretor da MAG Investimentos, destaca que a projeção do Banco Central para a inflação (IPCA) em 3,9% ficou acima da mediana do mercado (3,8%), “denotando que o BC acredita que será mais desafiador do que o mercado acredita para alcançar a meta”, diz. Diante disso,  reduziu sua projeção para a Selic terminal,  de 15,50% para 15%, com um aumento de 0,50 ponto percentual em maio e outro de 0,25 ponto em junho para encerrar o ciclo de alta.

 

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