Fenômeno que provou a força renovadora das novelas no streaming, Beleza Fatal alcançou sucesso múltiplo, trazendo audiência e repercussão para a Max no Brasil e em diversos países — e provocando um tipo de engajamento que há muito os folhetins nacionais não geravam, com espectadores se reunindo e fazendo até festas para acompanhar seu último capítulo, que foi lançado na última sexta-feira, 21. Diante do tamanho desse êxito, uma revelação agora trazida à luz com exclusividade por VEJA Online expõe uma ironia e tanto: a aposta certeira da plataforma, que consagrou Camila Pitanga na pele da festejada vilã Lola, quase não saiu do papel em razão de um impasse nos bastidores.
As turbulências nos bastidores
Escrita pelo talentoso Raphael Montes e supervisionada desde sua concepção pelo experiente Silvio de Abreu, ex-chefão da área de novelas da Globo e autor de arrasa-quarteirões do gênero como A Próxima Vítima, Beleza Fatal foi afetada, logo em seu nascedouro, por uma reviravolta corporativa: a fusão da Warner, proprietária da HBO e da Max, com o conglomerado Discovery nos Estados Unidos. Essa notável acomodação nas placas tectônicas do entretenimento global ocorreu em 2022, quando a novela ainda estava sendo gestada, e provocou turbulências compreensíveis nos projetos da empresa — envolvendo revisão de investimentos e custos de produção pelo mundo afora. Beleza Fatal não escapou à regra.
Qual o problema com Beleza Fatal?
Segundo relatou a VEJA, sob garantia de sigilo, uma fonte diretamente envolvida na produção da novela, a ideia inicial era gravar Beleza Fatal no Rio, sob os cuidados da produtora Conspiração. Só que o valor pedido pela produtora excedia em muito o limite de gastos considerado aceitável pelos executivos do conglomerado, na faixa de 300.000 dólares por capítulo (cerca de 1,7 milhão de reais na cotação atual). Diante disso, iniciou-se uma corrida para encontrar um modo de gravar a novela respeitando esse teto de gastos — e, a certa altura, a produção de Beleza Fatal parecia na berlinda.
A solução do impasse
Após o fracasso da parceria com a Conspiração, foi cogitado gravar a novela — que se passa no Rio de Janeiro — na Colômbia, como forma de otimizar os custos. Na ponta do lápis, porém, essa alternativa não se revelava satisfatória. Pensou-se, então, em levar o elenco de Beleza Fatal para gravar num lugar ainda mais longe: Portugal. De novo, a ideia não se mostrou muito sensata. Só então, após um processo desgastante, achou-se a solução que coube dentro do orçamento total de 12 milhões de dólares pelos seus quarenta capítulos e, enfim, viabilizou a novela: gravar as cenas de estúdio de Beleza Fatal numa produtora paulista, a Coração da Selva, com as externas realizadas no Rio. Por pouco, quem diria, Lola e companhia não tiveram a chance de fazer a alegria dos noveleiros de plantão.
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